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Museu Judaico apresenta exposição tecnológica de Giselle Beiguelman sobre preconceito e colonialismo

08.06.2022 | Cultura

Desde 28 de maio até 18 de setembro, Museu Judaico de São Paulo, que conta com o patrocínio do Instituto CCR, apresenta a primeira grande exposição de 2022 com obras da artista, pesquisadora e educadora Giselle Beiguelman. Em Botannica Tirannica, a autora investiga a genealogia e a estética do preconceito embutidos em nomes populares e científicos dados a plantas como Judeu-errante, Orelha-de-judeu, Maria-sem-vergonha, Bunda-de-mulata, Peito-de-moça, Malícia-de-mulher, Catinga-de-mulata, Ciganinha, Chá-de-bugre, entre outros.

A mesma lógica se observa em nomes científicos, como virginica, virginicum e virgianiana para designar flores brancas; e Kaffir, uma palavra ofensiva para povos da região da África subsaariana, onde se equivale à palavra “nigger”, nomenclatura também repudiada pela comunidade afrodescendente norte-americana.

Um dos ícones da exposição é a planta popular judeu-errante (Tradescantia zebrina), título de uma narrativa medieval que foi um dos baluartes da propaganda nazista e que tem o mesmo nome em várias línguas, como alemão, francês e inglês, sendo uma das muitas expressões depreciativas usadas contra a cultura judaica.

Em conjunto com seu Jardim da Resiliência, que ocupa as áreas externa e interna do Museu e onde são cultivadas espécies dotadas de nomes ofensivos e preconceituosos, na série Flora Mutandis a artista cria com a ajuda de Inteligência Artificial, seres híbridos, plantas reais e inventadas, em um jardim pós-natural. Para a artista, “o modo como se nomeia o mundo é o modo como se criam as divisões, os preconceitos, e se consolida o pensamento binário”. Ela reitera: “a nomenclatura é um ritual de apagamento”.

A extensa pesquisa realizada durante um ano e meio permitiu reunir nomes de centenas de plantas que Giselle Beiguelman organizou em cinco grupos: antissemitas, machistas, racistas, e discriminatórios com relação a indígenas e ciganos. Muitas dessas plantas têm sido categorizadas tradicionalmente como “ervas daninhas”, característica que acabou sendo adotada pela artista como um manifesto de resiliência e de resistência, propondo um contradiscurso.
O uso da Inteligência Artificial foi feito por meio de redes neurais generativas (StyleGAN) para analisar como parâmetros estéticos são criados a partir de preconceitos e usar desta mesma engenharia para reverter as nomenclaturas botânicas.

Para a Gerente de Responsabilidade Social do Instituto CCR, Jéssica Trevisam, a mostra Botannica Tirannica reflete o trabalho do Instituto. “Quando utilizamos de ferramentas culturais e tecnológicas para a construção de uma sociedade mais informada, consciente e que respeita a diversidade, estamos a serviço da transformação que queremos ver no mundo.”

Serviço:

Botannica Tirannica, de Giselle Beiguelman
Museu Judaico de São Paulo (MUJ).
Período expositivo: de 28 de maio a 18 de setembro
Local: Rua Martinho Prado, 128 - São Paulo, SP
Funcionamento: Terça a domingo, das 10 horas às 18 horas
Ingresso: R$ 20
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com mobilidade reduzida


Autor: Divulgação